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6 iniciativas que são exemplo para a infraestrutura do Brasil

Projetos podem indicar um futuro de mais qualidade de vida, riqueza e empregos.

Os problemas da infraestrutura no Brasil já foram apontados por diversos especialistas. Os investimentos dependem em grande parte de recursos federais, enquanto a falta de planejamento de longo prazo trava possíveis avanços. No entanto, algumas iniciativas podem indicar saídas para trazer mais qualidade de vida, riqueza e empregos para a população. Aqui veremos seis casos que servem de exemplo para a infraestrutura do país.

1) Saneamento para o futuro

O saneamento básico é um problema no Brasil. Cerca de 35 milhões de pessoas ainda não têm acesso a água potável, e o tratamento de esgoto chega a menos de 50% da população. No entanto, localidades como Uberlândia, no Triângulo Mineiro, se destacam pelas ações positivas nessa área.

Com mais de 600 mil habitantes, Uberlândia tem 97,23% de coleta de esgoto, todo tratado. Já o abastecimento de água chega a 100% da população. Segundo o DMAE (Departamento Municipal de Água e Esgoto da cidade), o planejamento de longo prazo é razão desse sucesso. Um exemplo é a obra da estação de captação e tratamento Capim Branco. Ela poderá atender 3 milhões de pessoas, mesmo que a cidade tenha hoje pouco mais de 20% disso.

Outro diferencial, segundo o DMAE, é a busca pela economia. A empresa usa adutoras produzidas por uma fábrica própria, o que reduz custos. Além disso, a cidade emprega turbinas hidráulicas que reduzem imensamente a energia elétrica consumida.

2) Construção civil sustentável

O compromisso com o meio ambiente ganha espaço na construção civil do país. Os projetos de edifícios inteligentes fazem parte dessa lógica, dando origem a edificações com maior aproveitamento dos recursos naturais, como incidência de sol e circulação de ar. O uso de materiais com longa vida útil, menos poluentes e gerando menos resíduos, além da adoção de telhados verdes e outros isolantes térmicos, já são uma realidade no Brasil.

O uso de placas fotovoltaicas para geração de energia solar, por sua vez, é cada vez maior em casas, prédios residenciais e comerciais, indústrias, shoppings e estacionamentos.

Essa tendência está em sintonia com a previsão de alta de 10% na geração de energia solar no Brasil até 2030, e ao aumento médio anual de 300% na demanda por placas fotovoltaicas desde 2015, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica.

3) Concessões: saída para as rodovias

Os números comprovam: as melhores estradas do Brasil são administradas por concessionárias. Segundo a Pesquisa de Rodovias 2017 da CNT (Confederação Nacional do Transporte), 74,4% das rotas concedidas foram consideradas ótimas ou boas, contra apenas 29,6% das geridas pelo poder público. No ranking das 20 melhores ligações rodoviárias, 19 são administradas por concessões.

A melhor rodovia do Brasil, de acordo com a pesquisa, é a SP-348, conhecida como Rodovia dos Bandeirantes, que ostenta o título há seis anos consecutivos. Administrada pela CCR AutoBAn, ela liga São Paulo a Limeira, no interior do Estado. Para mantê-la com qualidade, a concessionária aplica tecnologias como recobrimento asfáltico, que usa pneus velhos triturados misturados ao material, trazendo menos ruído, maior aderência e conforto.

“Há razoável consenso no Brasil para a necessidade de expansão dos investimentos em infraestrutura, e o sistema de concessões é uma solução para isso. Ele permite a modernização da infraestrutura brasileira e a possibilidade de retomada dos investimentos de longo prazo”, afirma o presidente do Grupo CCR, Renato Vale.

4) Tecnologia em saneamento

O desenvolvimento de novas tecnologias é fundamental para aumentar a eficiência e a oferta em saneamento básico. No Brasil, um exemplo positivo em termos de inovação em saneamento vem da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo).

A Superintendência de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico, Inovação e Novos Negócios da empresa recebeu, em 2016, R$ 16 milhões de investimentos, além de um convênio com a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado) que destinará R$ 50 milhões até 2029 para financiar projetos com universidades e centros de pesquisa.

Os projetos da área vão desde biofiltros que reduzem o odor em estações de bombeamento e tratamento de esgoto – usando uma mistura feita de casca de coco – até um sistema de microfones que identificam vazamentos na rede de água sem a necessidade de deslocar equipes para detectá-los.

5) A expansão do transporte em bicicletas

Fortaleza é uma cidade que buscou soluções para evitar o colapso em sua locomoção. Entre 2004 e 2015, sua frota de veículos aumentou 226%, tornando-se a maior entre as capitais do Nordeste. Entre 2010 e 2015, sua população cresceu 5,7%, enquanto o total de veículos subiu mais de 40%.

Para ajudar a contornar esse problema, Fortaleza se tornou exemplo no uso de bicicletas na mobilidade urbana. Uma de suas iniciativas é o Projeto Bicicletar, que chegou a 2 milhões de viagens desde que foi criado, em 2014. Nos últimos anos, o sistema saltou de 40 para 80 estações, trazendo também benefícios ambientais: com ele, 683 toneladas de CO² deixaram de ser lançadas na atmosfera, segundo cálculos da empresa que administra o Bicicletar.

Outro projeto é o Bicicleta Integrada, com estações nos terminais de ônibus. O usuário pode retirar a bike por até 14 horas e devolver a qualquer momento. O pagamento pode ser com o bilhete único, o mesmo dos ônibus, e tem integração gratuita. O serviço estimula a pedalada para ir ao trabalho e é um sucesso: estima-se que 75% dos usos de bicicletas compartilhadas na capital cearense são feitos por usuários do Bilhete Único.

6) Moradias compactas e funcionais

O aumento do número de pessoas que moram sozinhas faz com que o mercado da construção civil ofereça imóveis menores e com mais funcionalidades. Em São Paulo, 36,8% das unidades vendidas em 2017 são de até 45m². Quando se fala em lançamentos, a faixa representa 42,6% dos empreendimentos, contra 30% em 2016, segundo o Secovi-SP.

Uma das tendências de arquitetura relacionadas a isso é o coliving, termo em inglês que pode ser traduzido como “co-moradia”. Embora seja um conceito recente no Brasil, algumas tendências relacionadas a ele – como o compartilhamento de áreas comuns – já podem ser vistos por aqui. Enquanto os apartamentos são pequenos, espaços de lavanderia, copa e até mesmo home office ficam em áreas compartilhadas do condomínio.

Segundo Alexandre Frankel, CEO da incorporadora Vitacon, as pessoas visam maior qualidade de vida com esse tipo de imóvel, trazendo efeitos positivos até mesmo para a mobilidade urbana. “Elas esperam ganhar tempo. Elas passam menos horas no trânsito, por ser em regiões centrais, e então sobra tempo para fazer o que importa. Ela não gasta com manutenção, economiza tempo na limpeza. A vida fica mais prática e funcional”.

Fonte: G1 Globo